Outro dia ouvi esta frase. Eu a ouvi num programa televisivo, de grande audiência no Brasil.
Gosto de assistir um quandro deste programa que ajuda uma meia dúzia de pessoas a sair do "SUFOCO". Leva as pessoas de volta para sua terra natal. Me emociono, confesso.
Num destes programas, uma jovem senhora teve a sorte de ser sorteada (neste caso, considero que Deus tocou o coração dos que lêem as cartas, e os fez comoverem-se por ela), e foi visitada pelo apresentador.
No meio da conversa, a jovem senhora sofrida proferiu a frase "a igreja não permite", reforçando um comentário que o entrevistador fez. Esta frase não é nova. Eu mesmo tive a insipiência de proferi-la muitas vezes durante o período em que estive cativo religiosamente. Ainda hoje ouço isso. A IGREJA NÃO PERMITE.
No momento em que vi aquela miserável senhora dizer isso, fui tomadao de uma ira profunda.
Aquela mulher deixou família para trás, deixou suas raízes para buscar uma felicidade cruel. Estava vivendo uma situação deplorável, desumana. Seu linguajar e suas roupas a denunciavam: era evangélica... crente, cristã, protestante, sei lá. Defendia uma bandeira religiosa.
O que fez irar-me? Exatamente a imponência da frase e a situação vexatória de uma mulher de Deus. Eu não consigo compreender como homens, que se dizem de Deus, não conseguem ver o que está a um palmo de seus olhos.
A igreja não permite que seus fiéis casem-se com não-fiéis; algumas não permitem que seus seguidores tenham televisores em seus lares; outras não permitem que mulheres cortem seus cabelos; algumas exageram a ponto de proibir a doação de sangue.
A igreja não permite.
Perguntei-me: a igreja não permite que seus fiéis sofram, por acaso? Não permite que os "irmãos em Cristo", padeçam necessidades? Não permitem que suas crianças cresçam sem perspectitivas de futuro? Não permitem que os cristão não tenham dignidade?
As igrejas não permitem muitas coisas. Será que seus líderes já perguntaram se Deus os permite fazer conceções, sectarismo, partidarismo, distinção entre pessoas? Já se perguntaram se Deus permite que tenham o melhor, enquanto seus fiéis não tem um pedaço de pão pra comer?
A Igreja não permite.
Mas, de fato, o fiel pertence a igreja ou a Deus?
Quem é a igreja para não permitir ou autorizar?
Com que permissão a igreja não permite?
Aborrece-me ouvir isso.
A igreja não permite. É, apenas a Igreja não permite.
Deveria a igreja não permitir a fome entre seus fiéis, a falta de amor, a ausência de dignidade, os falsos mestres.
E Deus, será que também "não permite"?
Domingo, Setembro 14
Acima da multidão
A multidão é conduzida como se fosse cega.
Quando a gente está no meio da multidão, não há como ver coisas diferentes, notar diferenças.
Afinal, a multidão, a massa, acaba conduzindo todos para um só lugar. Todos olham na mesma direção. Lá, no meio da multidão, você vê o que todos vêem.
Quando se sai do meio da multidão, é possível perceber diferenças, atrocidades, exageros... E coisas boas onde ninguém vê. Deus onde poucos acreditam. Fé, espiritualidade, Cristo, amor.
Conduza sua própria vida, na autonomia que o criador lhe deu. Respire. Viva!
Chega desse faz de conta. Deste "siga a autoridade de Deus". Você é a autoridade de Deus.
Quem é a autoridade de Deus para os que se dizem subscritos dela? à quem respondem?
Seja você mesma. Não aquilo que os outros querem.
Quando a gente está no meio da multidão, não há como ver coisas diferentes, notar diferenças.
Afinal, a multidão, a massa, acaba conduzindo todos para um só lugar. Todos olham na mesma direção. Lá, no meio da multidão, você vê o que todos vêem.
Quando se sai do meio da multidão, é possível perceber diferenças, atrocidades, exageros... E coisas boas onde ninguém vê. Deus onde poucos acreditam. Fé, espiritualidade, Cristo, amor.
Conduza sua própria vida, na autonomia que o criador lhe deu. Respire. Viva!
Chega desse faz de conta. Deste "siga a autoridade de Deus". Você é a autoridade de Deus.
Quem é a autoridade de Deus para os que se dizem subscritos dela? à quem respondem?
Seja você mesma. Não aquilo que os outros querem.
Sexta-feira, Julho 25
Uma questão de escolha.
Vou direto ao assunto. Escrevi algo sobre o que se é dito dentro da igreja e que não possui aplicação no cotidiano. Vou discorrer mais sobre esse assunto dando exemplos.
Vivemos numa sociedade carente de justiça: crimes sem condenação, pessoa reincidente que não se sabe como está solta, pois deveria estar pagando pelo seu crime na prisão e não está porque conseguiu o livramento condicional e aqui citam-se pedófilos, estupradores, latrocidas, traficantes, prevaricadores, estelionatários... A lista é grande, e o pior que todos dessa lista saem e tornam a cometer o mesmo crime, por isso da reincidência, quando não um concurso deles. Continuando a lista da falta de justiça, impostos pagos, mas que são desviados, mau atendimento por parte dos órgãos públicos, deficiência no serviço prestado pelos mesmos, além de salários baixos que não condizem com o serviço feito...
Pois bem, compreendemos o quanto à justiça – dar a cada um o que é seu de direito, não se faz presente em nossa sociedade, não há nem rastro dela na maioria das vezes. Nas igrejas fala-se muito de justiça, principalmente a de Deus ou que Deus é justiça, mas falar, sobre é muito vago, abstrato, até mesmo hipócrita numa sociedade como a qual vivemos e que referi acima. Justiça tornou-se como o santo graal, todos ouviram falar mas nunca o viram, é lenda, é mito, e a justiça tem tornado-se um mito. Quando falo de justiça não me refiro somente à dos tribunais, mas aquela que não é regida por um artigo presente na constituição, mas que faz parte da lei moral, saber o que tem que fazer tendo como juiz a consciência.
Mas voltando. Falar de justiça dentro da igreja é fácil, mas alguém entende? Se ninguém entende não possui aplicação. Pergunte para alguém que você conhece o que é a justiça de Deus, preferencialmente um que exerça cargo de liderança na igreja. A resposta será vaga, sem corpo.
“A justiça de Deus”. Precisamos engravidar essa palavra, essa frase, dar forma, corpo, como também precisamos dar corpo para Deus, amor e fé. Justiça, amor e fé são escolhas que fazemos e, se são escolhas, logo são ações, portanto, devemos expressar. Se apenas falamos dessas três coisas elas passam despercebidas, jargão de “crente”, agora se dermos corpo, forma, aplicação, tornamos elas reais palpáveis, capaz de serem provadas testadas, vividas.
Gosto muito de um escritor chamado Philip Yancey. Em um de seus livros ele escreve o seguinte a respeito da tragédia de 11 de setembro, quando as pessoas falavam onde estaria Deus naquele momento, ele diz: “a questão não é onde está Deus, mas sim onde estão as pessoas que o representam, que acreditam Nele.”
Nós representamos à justiça de Deus, o amor de Deus, a fé, o próprio Deus e o seu reino. Quando tudo isso falha ou não se vê, eu sou culpado, pois eu digo que o sirvo e o represento.
No reino de Deus tudo gira em torno de atitudes, ações. O filme “O Todo Poderoso” há uma frase dita pelo Morgan Freeman – não sei se escrevi o sobrenome certo, em que ele diz o seguinte para o Jim Carrey – também não sei se escrevi certo, “Não peça um milagre, seja o milagre.” Essa frase expressa o reino de Deus, ele é atitude, ação. Precisamos fazer, dar forma, realizar, demonstrar.
O que é fé para mim. Fé é uma escolha pautada naquilo que não se vê, mas que se acredita e espera.
Rodson Cypriano
http://rodsoncypriano.blogspot.com/
Vivemos numa sociedade carente de justiça: crimes sem condenação, pessoa reincidente que não se sabe como está solta, pois deveria estar pagando pelo seu crime na prisão e não está porque conseguiu o livramento condicional e aqui citam-se pedófilos, estupradores, latrocidas, traficantes, prevaricadores, estelionatários... A lista é grande, e o pior que todos dessa lista saem e tornam a cometer o mesmo crime, por isso da reincidência, quando não um concurso deles. Continuando a lista da falta de justiça, impostos pagos, mas que são desviados, mau atendimento por parte dos órgãos públicos, deficiência no serviço prestado pelos mesmos, além de salários baixos que não condizem com o serviço feito...
Pois bem, compreendemos o quanto à justiça – dar a cada um o que é seu de direito, não se faz presente em nossa sociedade, não há nem rastro dela na maioria das vezes. Nas igrejas fala-se muito de justiça, principalmente a de Deus ou que Deus é justiça, mas falar, sobre é muito vago, abstrato, até mesmo hipócrita numa sociedade como a qual vivemos e que referi acima. Justiça tornou-se como o santo graal, todos ouviram falar mas nunca o viram, é lenda, é mito, e a justiça tem tornado-se um mito. Quando falo de justiça não me refiro somente à dos tribunais, mas aquela que não é regida por um artigo presente na constituição, mas que faz parte da lei moral, saber o que tem que fazer tendo como juiz a consciência.
Mas voltando. Falar de justiça dentro da igreja é fácil, mas alguém entende? Se ninguém entende não possui aplicação. Pergunte para alguém que você conhece o que é a justiça de Deus, preferencialmente um que exerça cargo de liderança na igreja. A resposta será vaga, sem corpo.
“A justiça de Deus”. Precisamos engravidar essa palavra, essa frase, dar forma, corpo, como também precisamos dar corpo para Deus, amor e fé. Justiça, amor e fé são escolhas que fazemos e, se são escolhas, logo são ações, portanto, devemos expressar. Se apenas falamos dessas três coisas elas passam despercebidas, jargão de “crente”, agora se dermos corpo, forma, aplicação, tornamos elas reais palpáveis, capaz de serem provadas testadas, vividas.
Gosto muito de um escritor chamado Philip Yancey. Em um de seus livros ele escreve o seguinte a respeito da tragédia de 11 de setembro, quando as pessoas falavam onde estaria Deus naquele momento, ele diz: “a questão não é onde está Deus, mas sim onde estão as pessoas que o representam, que acreditam Nele.”
Nós representamos à justiça de Deus, o amor de Deus, a fé, o próprio Deus e o seu reino. Quando tudo isso falha ou não se vê, eu sou culpado, pois eu digo que o sirvo e o represento.
No reino de Deus tudo gira em torno de atitudes, ações. O filme “O Todo Poderoso” há uma frase dita pelo Morgan Freeman – não sei se escrevi o sobrenome certo, em que ele diz o seguinte para o Jim Carrey – também não sei se escrevi certo, “Não peça um milagre, seja o milagre.” Essa frase expressa o reino de Deus, ele é atitude, ação. Precisamos fazer, dar forma, realizar, demonstrar.
O que é fé para mim. Fé é uma escolha pautada naquilo que não se vê, mas que se acredita e espera.
Rodson Cypriano
http://rodsoncypriano.blogspot.com/
Sexta-feira, Junho 13
Conclusão
O que é dito dentro da igreja não tem aplicação alguma na vida diária. O que é dito dentro da igreja serve apenas para manter os homens presos nas garras da religiosidade e do fundamentalismo.
O que é dito dentro da igreja não ensina a pensar, apenas programa a reagir de forma a dar continuidade ao circulo vicioso.
O que se diz é abstrato, falta-lhe forma, corpo, precisa ser "engravidado".
Rodson Cypriano
O que é dito dentro da igreja não ensina a pensar, apenas programa a reagir de forma a dar continuidade ao circulo vicioso.
O que se diz é abstrato, falta-lhe forma, corpo, precisa ser "engravidado".
Rodson Cypriano
Segunda-feira, Março 3
Felicidade
Passamos a vida em busca da felicidade. Procurando o tesouro escondido. Corremos de um lado para o outro esperando descobrir a chave da felicidade. Esperamos que tudo que nos preocupa se resolva num passe de mágica. E achamos que a vida seria tão diferente, se pelo menos fôssemos felizes. E, assim, uns fogem de casa para serem felizes e outros fogem para casa para serem felizes. Uns se casam para serem felizes e outros se divorciam para serem felizes. Uns fazem viagens caríssimas para serem felizes e outros trabalham além do normal para serem felizes. Uma busca infinda. Anos desperdiçados.
Nunca a lua está ao alcance da mão, nunca o fruto está maduro, nunca o vinho está no ponto. Sombras, lágrimas. Nunca estamos satisfeitos. Mas, há uma forma melhor de viver! A partir do momento em que decidimos ser felizes, nossa busca da felicidade chegou ao fim. É que percebemos que a felicidade não está na riqueza material, na casa
nova, no carro novo, naquela carreira, naquela pessoa. E jamais está à venda. Quando não conseguimos achar satisfação dentro de nós para ter alegria, estamos fadados à decepção.
A felicidade não tem nada a ver com conseguir. Consiste em satisfazer-nos com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer feliz o homem sábio, ao mesmo tempo tem que nenhuma fortuna satisfaria a um inconformado. As necessidades de cada um de nós são poucas. Enquanto nós tivermos alguma coisa a fazer, alguém a amar, alguma coisa a esperar, seremos felizes. Saiba: A única fonte de felicidade está dentro de você, e deve ser repartida. Repartir suas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre você mesmo.
Autor Desconhecido
Nunca a lua está ao alcance da mão, nunca o fruto está maduro, nunca o vinho está no ponto. Sombras, lágrimas. Nunca estamos satisfeitos. Mas, há uma forma melhor de viver! A partir do momento em que decidimos ser felizes, nossa busca da felicidade chegou ao fim. É que percebemos que a felicidade não está na riqueza material, na casa
nova, no carro novo, naquela carreira, naquela pessoa. E jamais está à venda. Quando não conseguimos achar satisfação dentro de nós para ter alegria, estamos fadados à decepção.
A felicidade não tem nada a ver com conseguir. Consiste em satisfazer-nos com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer feliz o homem sábio, ao mesmo tempo tem que nenhuma fortuna satisfaria a um inconformado. As necessidades de cada um de nós são poucas. Enquanto nós tivermos alguma coisa a fazer, alguém a amar, alguma coisa a esperar, seremos felizes. Saiba: A única fonte de felicidade está dentro de você, e deve ser repartida. Repartir suas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre você mesmo.
Autor Desconhecido
Quarta-feira, Fevereiro 27
O TEMPO QUE A VIDA DÁ
Hoje é o amanhã que tanto nos preocupava ontem.
Tempo. Contado em dias, leva mais tempo. Se, contado em anos, parece ser bem menos. Tempo. O minuto que passou foi esquecido no próprio tempo. Talvez tenha sido bem aproveitado. Talvez não.
O tempo cobra o preço da vida. Cobra em pequenos lotes de valores quase não percebidos. Mostram-se insignificantes no momento, porém, impagáveis na soma final da vida.
O tempo advém da vida. No instante que nascemos, adquirimos.
É o tempo que a vida dá. Dá, sem nenhum ônus. Mas cobra.
E a cobrança acontece pela própria vida.
O tempo que se dispõe, converte-se em muito, pouco ou nenhum tempo. Há quem tenha tempo para não ter tempo. Mas qual o segredo da vida e o tempo? Na tenra idade, o tempo parece caminhar lentamente, como se não tivesse pressa de chegar. A vida, ainda jovem, cobra mais velocidade do tempo, desejando ser adulto, maduro.
Na idade adulta, o tempo parece querer castigar. Torna-se apressado. Um dia tem bem menos que vinte e quatro horas. É a vida vivida de forma anacrônica.
Como já disse alguém: hoje é o amanhã que tanto nos preocupava ontem. Irremediavelmente lutamos contra o tempo. Um tempo de que dispomos por algumas décadas apenas. Bem contadinho, talvez se aglutine em 70, 80 ou 90 anos no máximo.
Tempo.
Cada um de nós tem o tempo que a vida dá.
Ou o tempo que adquirimos, como que em créditos. Aos poucos vamos utilizando esses créditos.
Qual é o seu tempo? Você já parou pra pensar no tempo que gasta do tempo?
Rodnei Cypriano
Tempo. Contado em dias, leva mais tempo. Se, contado em anos, parece ser bem menos. Tempo. O minuto que passou foi esquecido no próprio tempo. Talvez tenha sido bem aproveitado. Talvez não.
O tempo cobra o preço da vida. Cobra em pequenos lotes de valores quase não percebidos. Mostram-se insignificantes no momento, porém, impagáveis na soma final da vida.
O tempo advém da vida. No instante que nascemos, adquirimos.
É o tempo que a vida dá. Dá, sem nenhum ônus. Mas cobra.
E a cobrança acontece pela própria vida.
O tempo que se dispõe, converte-se em muito, pouco ou nenhum tempo. Há quem tenha tempo para não ter tempo. Mas qual o segredo da vida e o tempo? Na tenra idade, o tempo parece caminhar lentamente, como se não tivesse pressa de chegar. A vida, ainda jovem, cobra mais velocidade do tempo, desejando ser adulto, maduro.
Na idade adulta, o tempo parece querer castigar. Torna-se apressado. Um dia tem bem menos que vinte e quatro horas. É a vida vivida de forma anacrônica.
Como já disse alguém: hoje é o amanhã que tanto nos preocupava ontem. Irremediavelmente lutamos contra o tempo. Um tempo de que dispomos por algumas décadas apenas. Bem contadinho, talvez se aglutine em 70, 80 ou 90 anos no máximo.
Tempo.
Cada um de nós tem o tempo que a vida dá.
Ou o tempo que adquirimos, como que em créditos. Aos poucos vamos utilizando esses créditos.
Qual é o seu tempo? Você já parou pra pensar no tempo que gasta do tempo?
Rodnei Cypriano
Terça-feira, Fevereiro 26
Adversidade
A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas. [horácio]
Existe uma passagem nos evangelhos que me chama muito a atenção e cabe perfeitamente no título acima. Falo da história do cego de Jericó.
Este homem vivia seus dias à beira do caminho comendo pó, marginalizado, esquecido e menosprezado pela lei Farisaica.
Mesmo naquela época – não muito diferente do que temos nos dias de hoje - as feras já andavam a solta. Digo das feras racionais. Elas existiam e sempre vão existir.
Tente ser você mesmo e saberá do que falo. Seja autêntico, honesto e vai sentir o ataque.
Inove, seja ousado e saberá que a um metro de distância existe um leão que se disfarça de bom cordeiro. Ou melhor, um ser irracional disfarçado de homem.
Este pobre cego um dia experimentou o ataque das feras racionais, legalistas, exclusivistas.
Numa certa ocasião o mestre Jesus passava pela estrada onde ele costumava mendigar.
Aturdido pelo movimento da multidão, inquiriu aos que passavam no local, na ânsia de saber do que se tratava tanto barulho. Demorou, mas descobriu - não pela resposta de alguém mas, pela sua vontade, pelo seu desejo - que era Jesus.
O cego de Jericó não esperou a multidão pressiona-lo contra a parede, nem tampouco deixou que sufocassem sua voz.
Começou a gritar pelo nome de Jesus. Uma atitude desesperadora? Talvez. Mas classifico como uma atitude ousada, criativa. Na sua condição e, pelas leis religiosas da época, ficar calado e resignar-se era o mínimo que ele deveria fazer.
A contrariu sensu este inconformado homem resolveu seguir adiante com sua intensão.
Começou a gritar pelo mestre. Quanto mais gritava, mais as pessoas diziam para que ele se calasse. E, quanto mais tentavam fazê-lo calar-se, mais alto gritava.
Não é exatamente assim que presenciamos em nossos dias dentro das empresas, no cenário político e, inclusive, no sistema religioso.
Nosso cotidiano está invadido por feras humanas inescrupulosas. Pessoas capazes de fazer qualquer coisa para calar quem quer que seja; que ouse questionar, dar uma nova orientação e não aceitar de pronto o que lhes entregam como correto, findo.
O exemplo do cego deve ser seguido.
Na sua condição existiam mais uma centena de pessoas. Gente esquecida, condenada. Gente que a sociedade desacreditava.
Não se deixe intimidar. Ouse. Faça coisas diferentes.
Se precisar gritar, grite. Certamente alguém vai tentar dizer que sua atitude, seu pensamento ou idéia não tem expressão. Pouco importa. Seja você.
Talvez até dirão que você está atrapalhando o “trâmite” normal das coisas.
Se aquele homem não tivesse gritado e ignorado os empurrões que certamente levou continuaria cego e condenado pelo resto de sua existência a uma vida medíocre. Seus gritos, sua vontade de mudança fez com que Jesus o curasse.
Tente quantas vezes for possível. Não desperdice as oportunidades que a vida lhe oferece. Seja sempre entusiasmado com a vida e não dê muita atenção para os conselheiros de fim de tarde.
Não há mal que dure a vida toda.
Rodnei Cypriano
Existe uma passagem nos evangelhos que me chama muito a atenção e cabe perfeitamente no título acima. Falo da história do cego de Jericó.
Este homem vivia seus dias à beira do caminho comendo pó, marginalizado, esquecido e menosprezado pela lei Farisaica.
Mesmo naquela época – não muito diferente do que temos nos dias de hoje - as feras já andavam a solta. Digo das feras racionais. Elas existiam e sempre vão existir.
Tente ser você mesmo e saberá do que falo. Seja autêntico, honesto e vai sentir o ataque.
Inove, seja ousado e saberá que a um metro de distância existe um leão que se disfarça de bom cordeiro. Ou melhor, um ser irracional disfarçado de homem.
Este pobre cego um dia experimentou o ataque das feras racionais, legalistas, exclusivistas.
Numa certa ocasião o mestre Jesus passava pela estrada onde ele costumava mendigar.
Aturdido pelo movimento da multidão, inquiriu aos que passavam no local, na ânsia de saber do que se tratava tanto barulho. Demorou, mas descobriu - não pela resposta de alguém mas, pela sua vontade, pelo seu desejo - que era Jesus.
O cego de Jericó não esperou a multidão pressiona-lo contra a parede, nem tampouco deixou que sufocassem sua voz.
Começou a gritar pelo nome de Jesus. Uma atitude desesperadora? Talvez. Mas classifico como uma atitude ousada, criativa. Na sua condição e, pelas leis religiosas da época, ficar calado e resignar-se era o mínimo que ele deveria fazer.
A contrariu sensu este inconformado homem resolveu seguir adiante com sua intensão.
Começou a gritar pelo mestre. Quanto mais gritava, mais as pessoas diziam para que ele se calasse. E, quanto mais tentavam fazê-lo calar-se, mais alto gritava.
Não é exatamente assim que presenciamos em nossos dias dentro das empresas, no cenário político e, inclusive, no sistema religioso.
Nosso cotidiano está invadido por feras humanas inescrupulosas. Pessoas capazes de fazer qualquer coisa para calar quem quer que seja; que ouse questionar, dar uma nova orientação e não aceitar de pronto o que lhes entregam como correto, findo.
O exemplo do cego deve ser seguido.
Na sua condição existiam mais uma centena de pessoas. Gente esquecida, condenada. Gente que a sociedade desacreditava.
Não se deixe intimidar. Ouse. Faça coisas diferentes.
Se precisar gritar, grite. Certamente alguém vai tentar dizer que sua atitude, seu pensamento ou idéia não tem expressão. Pouco importa. Seja você.
Talvez até dirão que você está atrapalhando o “trâmite” normal das coisas.
Se aquele homem não tivesse gritado e ignorado os empurrões que certamente levou continuaria cego e condenado pelo resto de sua existência a uma vida medíocre. Seus gritos, sua vontade de mudança fez com que Jesus o curasse.
Tente quantas vezes for possível. Não desperdice as oportunidades que a vida lhe oferece. Seja sempre entusiasmado com a vida e não dê muita atenção para os conselheiros de fim de tarde.
Não há mal que dure a vida toda.
Rodnei Cypriano
Segunda-feira, Outubro 29
Embriaguez
Estou inebriado de beleza, esmagado pelo esplendor.
Sem mais nem menos, senti-me batizado por uma Presença. Tudo me encantou, tudo me seduziu. Passei a gostar de pequenos gestos, relembrar momentos fugidios que perduraram em minha retina e me deram enorme alegria. Ressuscitaram olhares, toques e sílabas soltas que marcaram minha alma.
O Espírito abriu um estojo de jóias e ressuscitou tudo o que já me fez sorrir. Convenci-me de que a sombra de Deus é formosa como a asa de uma graúna, gentil como o sorriso de uma criança e forte como o olhar do ancião.
O Vento soprou e, de repente, tudo me fascinou. A genialidade poética do Chico Buarque e a doçura do Henry Nouwen se somaram à erudição dos meus professores do mestrado, e fiquei com um impulso de correr, saltar, de satisfação. Meus olhos se encheram de azul, meu coração acolheu o negro e minha pele se cobriu de rubro. Senti-me vivo.
Percebi o abraço divino e tudo me arrebatou, tudo me endoideceu. Vi-me encharcado de eternidade, amarrado pela vastidão sideral, atraído pelo infinito, desejoso pelo devir, e com o olhar fixo no horizonte improvável.
O Espírito veio sobre mim e tive anseio de ficar só numa catedral vazia. Sua presença me levou a trilhas bucólicas, com a sensação de que o divino companheiro que arde corações me acompanhava.
O Espírito me revestiu de amor pela vida. Desfiz os nós da discórdia, quebrei as lógicas do ódio e me inundei de bondade. Ganhei o ímpeto de gritar: seu Reino é justiça, paz e alegria. Antes de dormir vou acender um monte de velas aromáticas, ler Pessoa e escutar Bach para celebrar o testemunho do Espírito em mim.
Soli Deo Gloria.[Dedicado a Rubem Alves]
Texto de Ricardo Gondim
http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.painel.asp?tp=73
Sem mais nem menos, senti-me batizado por uma Presença. Tudo me encantou, tudo me seduziu. Passei a gostar de pequenos gestos, relembrar momentos fugidios que perduraram em minha retina e me deram enorme alegria. Ressuscitaram olhares, toques e sílabas soltas que marcaram minha alma.
O Espírito abriu um estojo de jóias e ressuscitou tudo o que já me fez sorrir. Convenci-me de que a sombra de Deus é formosa como a asa de uma graúna, gentil como o sorriso de uma criança e forte como o olhar do ancião.
O Vento soprou e, de repente, tudo me fascinou. A genialidade poética do Chico Buarque e a doçura do Henry Nouwen se somaram à erudição dos meus professores do mestrado, e fiquei com um impulso de correr, saltar, de satisfação. Meus olhos se encheram de azul, meu coração acolheu o negro e minha pele se cobriu de rubro. Senti-me vivo.
Percebi o abraço divino e tudo me arrebatou, tudo me endoideceu. Vi-me encharcado de eternidade, amarrado pela vastidão sideral, atraído pelo infinito, desejoso pelo devir, e com o olhar fixo no horizonte improvável.
O Espírito veio sobre mim e tive anseio de ficar só numa catedral vazia. Sua presença me levou a trilhas bucólicas, com a sensação de que o divino companheiro que arde corações me acompanhava.
O Espírito me revestiu de amor pela vida. Desfiz os nós da discórdia, quebrei as lógicas do ódio e me inundei de bondade. Ganhei o ímpeto de gritar: seu Reino é justiça, paz e alegria. Antes de dormir vou acender um monte de velas aromáticas, ler Pessoa e escutar Bach para celebrar o testemunho do Espírito em mim.
Soli Deo Gloria.[Dedicado a Rubem Alves]
Texto de Ricardo Gondim
http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.painel.asp?tp=73
C.S. Lewis Song
Se eu encontrar em mim desejos que nada neste mundo pode satisfazer, eu só posso concluir que eu não fui feito para este lugar
Se a minha luta contra a carne é na melhor das hipóteses apenas leve e momentânea então é claro que eu me sentirei nu quando comparado com o lugar para onde estou destinado
Fale comigo na luz da alvorada
Misericórdia vem com a manhã
Eu suspirarei e com toda a criação gemerei enquanto espero a esperança vir para mim
Eu sou perdido ou apenas encontrado?
No caminho reto ou na rotatória do caminho errado?
Existe uma alma que se move em mim, ela está se libertando, querendo se tornar viva?
Porque o meu conforto me faz preferir ficar dormente
E evitar o vindouro nascimento de quem eu nasci para me tornar
Fale comigo na luz da alvorada
Misericórdia vem com a manhã
Eu suspirarei e com toda a criação gemerei enquanto espero a esperança vir para mim
Porque nós, nós não estamos aqui por muito tempo
Nosso tempo é apenas um fôlego, então e melhor respirá-lo
E eu, eu fui feito para viver, fui feito para amar, eu fui feito para te conhecer
A esperança está vindo pra me buscar
Esperança, ele está vindo
Extraído de: ww.pavablog.blogspot.com
Se a minha luta contra a carne é na melhor das hipóteses apenas leve e momentânea então é claro que eu me sentirei nu quando comparado com o lugar para onde estou destinado
Fale comigo na luz da alvorada
Misericórdia vem com a manhã
Eu suspirarei e com toda a criação gemerei enquanto espero a esperança vir para mim
Eu sou perdido ou apenas encontrado?
No caminho reto ou na rotatória do caminho errado?
Existe uma alma que se move em mim, ela está se libertando, querendo se tornar viva?
Porque o meu conforto me faz preferir ficar dormente
E evitar o vindouro nascimento de quem eu nasci para me tornar
Fale comigo na luz da alvorada
Misericórdia vem com a manhã
Eu suspirarei e com toda a criação gemerei enquanto espero a esperança vir para mim
Porque nós, nós não estamos aqui por muito tempo
Nosso tempo é apenas um fôlego, então e melhor respirá-lo
E eu, eu fui feito para viver, fui feito para amar, eu fui feito para te conhecer
A esperança está vindo pra me buscar
Esperança, ele está vindo
Extraído de: ww.pavablog.blogspot.com
Sábado, Outubro 27
Amor próprio
Quando me amei de verdade, pude compreender que em qualquer cirunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa.
Então, pude relaxar.
Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é sinal de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado, inclusive eu mesmo.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo o que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas, hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos. Hoje, acho o que acho certo, e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantêm no presente, que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Kim e Alison Mcmillen
Então, pude relaxar.
Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é sinal de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado, inclusive eu mesmo.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo o que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas, hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos. Hoje, acho o que acho certo, e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantêm no presente, que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Kim e Alison Mcmillen
Domingo, Outubro 21
Cristianismo Morto (3)
Por mais de vinte anos sempre estive envolvido com as igrejas por onde passei. Desde os 14 anos minha vida cristã seguia os preceitos evangélicos. A música estava presente na minha vida. Nas igrejas, acabava sempre por me engajar nos grupos de louvores.
Embora tivesse plena convicção da minha salvação, alicerçada na fé que nutria pela palavra de Deus e pelo sacrifício de Jesus, um medo estridente me apunhalava as costas, me fazendo parecer mais pecador que aquele que era chamado de ímpio.
Havia sempre a necessidade de querer agradar a Deus. Tudo quanto eu fazia não parecia suficiente. Jejuava, orava, estava por vezes em constante vigília na esperança de ser aceito por Deus, que, aliás, parecia insaciável. Nada do que eu fazia parecia agradar-lhe, pois, não havia respostas claras.
Eu vivia assustado, aterrorizado e desejando saber, ardentemente, se Deus me aceitava. Afinal de contas, tinha o conhecimento de gente que se comportava muito pior e “ouvia e falava com Deus”.
Vivi isso por anos. Por todos esses anos me apresentaram um Jesus salvador, cheio de compaixão e amor, mas pouco tolerante. Entregaram-me um Salvador negociante: sua vida em troca de felicidade. Também conheci um Deus austero, mandão e ávido por punições. Um Deus severo e pouco comunicativo.
Hoje, desligado do movimento de igrejas, posso ver que sempre houve interesses pessoais por traz das homilias, e sempre vai existir. Permaneço na minha fé, com minhas convicções a respeito de Deus, do amor de Jesus e da presença do Espírito Santo, mas tenho reafirmada a percepção de que homens são apenas homens. Sempre acontecerão distorções e exageros em troca de algo.
Esse pensamento não é generalista. Assim como bons advogados atuam na profissão, corruptos também. Da mesma forma, cristãos verdadeiros sofrem com penalidades pela desonra dos maus.
Não sinto mais o “medo”, a condenação. Entreguei minha “carteirinha de membro”, desisti da “carta de recomendação” e me “desvinculei” de qualquer denominação.
Sou um cristão “nômade”.
Sinto Deus de várias formas. Não necessariamente – e somente – dentro das igrejas Deus se faz presente. Não preciso mais de músicas empolgantes e letras eletrizantes pra fazer-me subir à outra dimensão.
Estou vivendo a vida que o Pai me concedeu, juntamente com minha linda família. Não preciso mais mostrar-me para o “sacerdote”. Vou direto ao Juiz, por meio do meu advogado. Não preciso de aprovação alheia. Sei que preciso do amor e do perdão do Mestre. E sei que ele me aceita e ama-me do jeito que sou, sem me pedir nada, absolutamente nada em troca.
Aliás, troquei todas as barganhas pela dádiva. Troquei as buscas incessantes pela espera.
E, se alguma coisa há de merecimento, que seja pelo amor que o Pai tem por mim.
Rodnei Cypriano
Embora tivesse plena convicção da minha salvação, alicerçada na fé que nutria pela palavra de Deus e pelo sacrifício de Jesus, um medo estridente me apunhalava as costas, me fazendo parecer mais pecador que aquele que era chamado de ímpio.
Havia sempre a necessidade de querer agradar a Deus. Tudo quanto eu fazia não parecia suficiente. Jejuava, orava, estava por vezes em constante vigília na esperança de ser aceito por Deus, que, aliás, parecia insaciável. Nada do que eu fazia parecia agradar-lhe, pois, não havia respostas claras.
Eu vivia assustado, aterrorizado e desejando saber, ardentemente, se Deus me aceitava. Afinal de contas, tinha o conhecimento de gente que se comportava muito pior e “ouvia e falava com Deus”.
Vivi isso por anos. Por todos esses anos me apresentaram um Jesus salvador, cheio de compaixão e amor, mas pouco tolerante. Entregaram-me um Salvador negociante: sua vida em troca de felicidade. Também conheci um Deus austero, mandão e ávido por punições. Um Deus severo e pouco comunicativo.
Hoje, desligado do movimento de igrejas, posso ver que sempre houve interesses pessoais por traz das homilias, e sempre vai existir. Permaneço na minha fé, com minhas convicções a respeito de Deus, do amor de Jesus e da presença do Espírito Santo, mas tenho reafirmada a percepção de que homens são apenas homens. Sempre acontecerão distorções e exageros em troca de algo.
Esse pensamento não é generalista. Assim como bons advogados atuam na profissão, corruptos também. Da mesma forma, cristãos verdadeiros sofrem com penalidades pela desonra dos maus.
Não sinto mais o “medo”, a condenação. Entreguei minha “carteirinha de membro”, desisti da “carta de recomendação” e me “desvinculei” de qualquer denominação.
Sou um cristão “nômade”.
Sinto Deus de várias formas. Não necessariamente – e somente – dentro das igrejas Deus se faz presente. Não preciso mais de músicas empolgantes e letras eletrizantes pra fazer-me subir à outra dimensão.
Estou vivendo a vida que o Pai me concedeu, juntamente com minha linda família. Não preciso mais mostrar-me para o “sacerdote”. Vou direto ao Juiz, por meio do meu advogado. Não preciso de aprovação alheia. Sei que preciso do amor e do perdão do Mestre. E sei que ele me aceita e ama-me do jeito que sou, sem me pedir nada, absolutamente nada em troca.
Aliás, troquei todas as barganhas pela dádiva. Troquei as buscas incessantes pela espera.
E, se alguma coisa há de merecimento, que seja pelo amor que o Pai tem por mim.
Rodnei Cypriano
Domingo, Outubro 14
Pra pensar
Teologia como a palavra sugere é o discurso sobre Deus e de todas as coisas vistas à luz de Deus. Constitui uma singularidade de nossa espécie que, num momento da evolução de milhões de anos, tenha surgido a consciência de Deus. Com essa palavra - Deus - se expressa um valor supremo, um sentido derradeiro do universo e da vida e uma Fonte originária de onde provêm todos os seres.
Esse Deus sempre habita o universo e acompanha os seres humanos. Os textos sagradas das religiões e das tradições espirituais testemunham a permanente atuação de Deus no mundo. Ele sempre atua favorecendo a vida, defendendo o fraco, oferecendo perdão ao caido e prometendo a eternidade da vida em comunhão com Ele.
Pertence à fé dos cristãos afirmar que Deus se acercou da existência humana e se fez Ele mesmo Deus em Jesus de Nazaré. Assim a promessa de união benaventurada com Ele se antecipa e será a destinação de todos os seres e da inteira criação.
Entre as muitas funções da teologia, hoje em dia, duas são mais urgentes: como a teologia colabora na libertação dos oprimidos que são nossos cristos crucificados hoje e como a teologia ajuda a preservar a memória de Deus para que não se perca o sentido e a sacralidade da vida humana, ameaçada por uma cultura da superficialidade, do consumo e do entretenimento. Devemos unir sempre fé com justiça donde nasce a perspectiva de libertação e importa manter a chama da lamparina sagrada sempre acesa, donde se alimenta a esperança humana de um futuro bom para a Terra e a humanidade.
Leonardo Boff
Esse Deus sempre habita o universo e acompanha os seres humanos. Os textos sagradas das religiões e das tradições espirituais testemunham a permanente atuação de Deus no mundo. Ele sempre atua favorecendo a vida, defendendo o fraco, oferecendo perdão ao caido e prometendo a eternidade da vida em comunhão com Ele.
Pertence à fé dos cristãos afirmar que Deus se acercou da existência humana e se fez Ele mesmo Deus em Jesus de Nazaré. Assim a promessa de união benaventurada com Ele se antecipa e será a destinação de todos os seres e da inteira criação.
Entre as muitas funções da teologia, hoje em dia, duas são mais urgentes: como a teologia colabora na libertação dos oprimidos que são nossos cristos crucificados hoje e como a teologia ajuda a preservar a memória de Deus para que não se perca o sentido e a sacralidade da vida humana, ameaçada por uma cultura da superficialidade, do consumo e do entretenimento. Devemos unir sempre fé com justiça donde nasce a perspectiva de libertação e importa manter a chama da lamparina sagrada sempre acesa, donde se alimenta a esperança humana de um futuro bom para a Terra e a humanidade.
Leonardo Boff
CONSUMO, LOGO EXISTO
Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes, etc.
A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.
Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela.
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.
Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo.Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."
Autor: Frei BettoEscritor
A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.
Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela.
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.
Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo.Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."
Autor: Frei BettoEscritor
A República dos Alucinados
"Nossa derrocada será inimaginável, se não abrirmos urgentemente os olhospara ver, os ouvidos para escutar e asmãos para trabalhar em nosso favor".
Quando esta coluna sair, estarei ainda por alguns dias na Itália, de onde a escrevo, ligada a meu país pela internet e pelos telefonemas de amigos e filhos. De outra maneira eu de nada saberia, pois a Europa nos desconhece quase totalmente. Aceitei o chamado de minha editora italiana, a Bompiani, para falar no lançamento de meu livro Perdas & Ganhos na Feira de Turim. Minha colaboração mínima para que se tenha aos poucos uma visão mais real do Brasil, não apenas os simpáticos Carnaval, violão, caipirinha e futebol.
Cansei de estar no exterior e me indagarem se realmente há editoras no Brasil, e universidades, e o resto. Há coisas das quais não falo porque me angustiam e envergonham, entre tantas que me orgulham. Para mim meu país é como filho: nele só quero que vejam qualidades.
Não quero ter de dizer, por exemplo, que viramos uma terra de alucinados, porque nos dizem algumas autoridades que tudo é mania de perseguição, é coisa inventada.
Assim, enquanto a saúde pública apodrece e pessoas ainda morrem nas filas do INSS ou em corredores de hospitais cujo corpo de médicos e enfermeiras está esgotado de trabalhar, alguém com autoridade vem nos dizer que estamos chegando quase à perfeição em matéria de saúde pública. Diante disso, só posso crer que sofremos das faculdades mentais, nós que vemos e vivemos o contrário.
Alguém disse também, no mesmo terreno, que o problema são os velhinhos, os aposentados, que pegaram a péssima mania de correr para as filas de madrugada. Se chegassem em horário normal e mais saudável, 7 ou 8 horas, teriam pronto atendimento. Mais um atestado de que nós, os comuns brasileiros, andamos nos alucinando. Na nossa doença mental inventamos também que as escolas estão em condições péssimas, o ensino elementar caindo pelas tabelas, o médio nem se fala, e a universidade desmoronando.
Nem comento mais o supérfluo papel higiênico nos banheiros de professores (de alunos, nem falar), mas penso nas bibliotecas precárias, nos laboratórios antiquados, quando não destruídos por fanáticos amantes do atraso e da devastação. Professores pouco estimulados e pessimamente pagos, currículos absurdos, prédios em condições físicas inaceitáveis... e, de modo geral, a queda do nível de ensino.
Alucinou-se minha amiga há duas semanas, quando, levando uma criança pela mão, foi abordada por um jovem drogado que a ameaçou e lhe arranhou a cara em plena manhã de movimento. Teve sorte minha amiga: não foi esfaqueada nem estuprada. Voltou para casa, pensando em como explicar tudo a uma criança pequena.
E comentamos juntas que estímulo, que modelo teria aquele jovem entre nossos homens públicos – nem todos, os dignos eu respeito cada dia mais – diante dos fatos que vêm acontecendo conosco. Para que ser saudável e honesto, trabalhar, sustentar-se, quem sabe ajudar a família? Os bilhões roubados e desaparecidos nas homéricas falcatruas que tentam esconder ainda poderiam ter salvo da desgraça muitos milhares de jovens como aquele. Poderiam ter fundado e melhorado centenas de escolas, bibliotecas, hospitais, creches.
Agora, para culminar, um país vizinho abocanha um pedaço da Petrobras, que é nossa, é de seus acionistas, é do povo brasileiro, que certamente vai arcar com esse prejuízo material. Quem vai pagar pela honra do Brasil, tão abertamente atacada? Estamos alucinando, nos dirão as autoridades, alucinamos ser espoliados e roubados, já não pelo MST, cujo bonezinho tem sido usado por governantes nossos, mas pela Bolívia, que roubou, literalmente, algo nosso. Houve reação além de um protesto pífio ou da afirmação de nosso governante principal de que a Bolívia tinha direito de fazer o que fez e que não teríamos maior prejuízo? Primeiro, aliás, a Bolívia fez um pequeno treino, roubando uma siderúrgica. Como não houve grande reação, partiu para algo maior. De novo, ninguém nos defendeu, ninguém reagiu com firmeza, ninguém nos protege – é a sensação geral. Estamos perdendo, além de bens materiais, avanços possíveis e progresso, a nossa honra como país.
Mas quem sabe é tudo fantasia nossa? Somos distraídos demais, alegremente ignoramos as graves estripulias que ocorrem no Brasil ou contra o Brasil: somos, afinal, habitantes da República dos Alucinados, em que tudo se perderá e a derrocada será inimaginável, se não abrirmos urgentemente os olhos para ver, os ouvidos para escutar e as mãos para trabalhar em nosso favor.
Autor: Lya Luft
Quando esta coluna sair, estarei ainda por alguns dias na Itália, de onde a escrevo, ligada a meu país pela internet e pelos telefonemas de amigos e filhos. De outra maneira eu de nada saberia, pois a Europa nos desconhece quase totalmente. Aceitei o chamado de minha editora italiana, a Bompiani, para falar no lançamento de meu livro Perdas & Ganhos na Feira de Turim. Minha colaboração mínima para que se tenha aos poucos uma visão mais real do Brasil, não apenas os simpáticos Carnaval, violão, caipirinha e futebol.
Cansei de estar no exterior e me indagarem se realmente há editoras no Brasil, e universidades, e o resto. Há coisas das quais não falo porque me angustiam e envergonham, entre tantas que me orgulham. Para mim meu país é como filho: nele só quero que vejam qualidades.
Não quero ter de dizer, por exemplo, que viramos uma terra de alucinados, porque nos dizem algumas autoridades que tudo é mania de perseguição, é coisa inventada.
Assim, enquanto a saúde pública apodrece e pessoas ainda morrem nas filas do INSS ou em corredores de hospitais cujo corpo de médicos e enfermeiras está esgotado de trabalhar, alguém com autoridade vem nos dizer que estamos chegando quase à perfeição em matéria de saúde pública. Diante disso, só posso crer que sofremos das faculdades mentais, nós que vemos e vivemos o contrário.
Alguém disse também, no mesmo terreno, que o problema são os velhinhos, os aposentados, que pegaram a péssima mania de correr para as filas de madrugada. Se chegassem em horário normal e mais saudável, 7 ou 8 horas, teriam pronto atendimento. Mais um atestado de que nós, os comuns brasileiros, andamos nos alucinando. Na nossa doença mental inventamos também que as escolas estão em condições péssimas, o ensino elementar caindo pelas tabelas, o médio nem se fala, e a universidade desmoronando.
Nem comento mais o supérfluo papel higiênico nos banheiros de professores (de alunos, nem falar), mas penso nas bibliotecas precárias, nos laboratórios antiquados, quando não destruídos por fanáticos amantes do atraso e da devastação. Professores pouco estimulados e pessimamente pagos, currículos absurdos, prédios em condições físicas inaceitáveis... e, de modo geral, a queda do nível de ensino.
Alucinou-se minha amiga há duas semanas, quando, levando uma criança pela mão, foi abordada por um jovem drogado que a ameaçou e lhe arranhou a cara em plena manhã de movimento. Teve sorte minha amiga: não foi esfaqueada nem estuprada. Voltou para casa, pensando em como explicar tudo a uma criança pequena.
E comentamos juntas que estímulo, que modelo teria aquele jovem entre nossos homens públicos – nem todos, os dignos eu respeito cada dia mais – diante dos fatos que vêm acontecendo conosco. Para que ser saudável e honesto, trabalhar, sustentar-se, quem sabe ajudar a família? Os bilhões roubados e desaparecidos nas homéricas falcatruas que tentam esconder ainda poderiam ter salvo da desgraça muitos milhares de jovens como aquele. Poderiam ter fundado e melhorado centenas de escolas, bibliotecas, hospitais, creches.
Agora, para culminar, um país vizinho abocanha um pedaço da Petrobras, que é nossa, é de seus acionistas, é do povo brasileiro, que certamente vai arcar com esse prejuízo material. Quem vai pagar pela honra do Brasil, tão abertamente atacada? Estamos alucinando, nos dirão as autoridades, alucinamos ser espoliados e roubados, já não pelo MST, cujo bonezinho tem sido usado por governantes nossos, mas pela Bolívia, que roubou, literalmente, algo nosso. Houve reação além de um protesto pífio ou da afirmação de nosso governante principal de que a Bolívia tinha direito de fazer o que fez e que não teríamos maior prejuízo? Primeiro, aliás, a Bolívia fez um pequeno treino, roubando uma siderúrgica. Como não houve grande reação, partiu para algo maior. De novo, ninguém nos defendeu, ninguém reagiu com firmeza, ninguém nos protege – é a sensação geral. Estamos perdendo, além de bens materiais, avanços possíveis e progresso, a nossa honra como país.
Mas quem sabe é tudo fantasia nossa? Somos distraídos demais, alegremente ignoramos as graves estripulias que ocorrem no Brasil ou contra o Brasil: somos, afinal, habitantes da República dos Alucinados, em que tudo se perderá e a derrocada será inimaginável, se não abrirmos urgentemente os olhos para ver, os ouvidos para escutar e as mãos para trabalhar em nosso favor.
Autor: Lya Luft
EN PAZ
Artifex vitae, artifex sui
Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida,
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida;
porque veo al final de mi rudo camino
que yo fui el arquitecto de mi propio destino;
que si extraje la miel o la hiel de las cosas,
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales coseché siempre rosas.
Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno:
¡mas tú no me dijiste que mayo fuese eterno!
Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tan sólo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...
Amé, fui amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos en paz!
Do poeta Mexicano, Amado Nervo, nascido em 1870.
Belíssimo!
Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida,
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida;
porque veo al final de mi rudo camino
que yo fui el arquitecto de mi propio destino;
que si extraje la miel o la hiel de las cosas,
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales coseché siempre rosas.
Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno:
¡mas tú no me dijiste que mayo fuese eterno!
Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tan sólo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...
Amé, fui amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos en paz!
Do poeta Mexicano, Amado Nervo, nascido em 1870.
Belíssimo!
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